Não, eles não sabiam, suas surdas vozes nem arranhavam, agora sim consigo entender, o sensível aprender inicial ... ah, o doce mistério das crianças, o descobrir. Eu sei tudo agora, estou tão junto que me sinto como uma parte de você, mas a doce liberdade é uma ilusão, os horizontes nunca foram tão distantes, vemos com clareza a qualquer distância, somos uma voz em uníssono, com um ritmo rígido, com olhos que nos cercam.
Sei que parece difícil acreditar, porque me emprego de um velho meio para transmitir minhas ideias, e você não dispõe de meios para ouvir minha mensagem que possam driblar nossas falhas, nossas diferenças, todo o nosso mundo. Não é que somos um único pensar, mas sim que ao reconhecer e maximizar o individual é que encontramos o uno, criamos uma voz universal, nossa louca melodia que dá sentido ao comunicar, ao compartilhar. O meu sentir é seu também, na saúde e na tristeza, na alegria e na doença, não há loucos, mas eliminamos o indesejável, suprimimos autoritariamente o que nos prejudica.
Educar, quão ineficientes, sem saber as necessidades, virtudes e fraquezas, sem explorá-las, vocês apenas guiam um rebanho, criam guetos e fortes distinções sociais para controlar as massas, vocês elegem líderes e não os apoiam, deixando-os a deriva, em sua dura exploração. Criamos crianças fortes, unidas, que respeitam todas as diferenças, que são levadas de encontro ao seu máximo.
Compreendemos a real satisfação, e paramos com nossos disfarces, mas sinto isso, percebo que todos e tudo me observa e consegue atingir a minha mais profunda lembrança, vivemos em completa auto-vigilância imposta, contemplando a vida que passa aos nossos olhos, porém, como visitantes em nossa própria casa, nunca me sentindo confortável perto de outros, existe uma sociedade paralela, e cada um de nós é parte dela, poucos conseguem ser capazes de viver por todas elas, muitos morrem sem conhecer este universo. Não é isso que você está pensando, é como se tivesse uma parte de você respondendo perguntas para uma questão que você não ouviu. E o pior é que muitos de nós não ouve a própria resposta.
Eu perdi a esperança na humanidade, somos maus, mas decidimos utilizar a alegria como arma, com a cruel violência de retirar-lhe sua identidade, seu eu. Maquiamos e criamos você como parte do que nos interessa, do que nos atrai. Aqueles que sabem utilizar-se disso estão a todo o momento manipulando outros e criando um padrão de comportamento que lhe interesse. Criamos o novo trabalho, um trabalho silencioso que molda a todos, que muda tudo. É isso que descobrimos ao cavar fundo de mais, um grande vazio, com um único desejo escondido dentro de todos nós. Um único e vazio desejo.